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Reflexões sobre as diferenças entre as gerações

Ao interagir com adolescentes e jovens e seus pais, a questão da diferença entre as duas gerações sempre é trazida. Comumente, fala-se do quanto a outra geração é difícil, complicada, pensa e age diferente, e todas as peculiaridades quando temos que lidar com as diferenças. Escuta-se as típicas frases como “essa geração está perdida”, “no meu tempo era tudo diferente e melhor” ou “você não sabe de nada!”.

Cada geração desenvolve-se a partir do contexto histórico, cultural e social de sua época, bem como da interação com a geração anterior. É só observar que as pessoas que nasceram no início do século XX possuem características e maneiras de ser, pensar, sentir, conceitos e valores, muito diferentes das pessoas que nasceram no final do século.

Quem nasceu no início do século vivia em uma época onde a tecnologia e as facilidades da vida moderna possivelmente nem eram imaginadas. Lembro de, na minha adolescência, ouvir que chegaria um dia em que não precisaríamos mais de funcionários nos bancos, que as transações bancárias seriam feitas por nós mesmos em uma máquina, o que me pareceu improvável e distante. E hoje, o que parece improvável é viver sem os caixas eletrônicos! E o que dizer do GOOGLE? Como vivíamos sem ele?

Existem muitas pesquisas sobre as diferenças entre as gerações. Uma delas traz o olhar sobre as chamadas gerações X e Y que são algumas das gerações que convivemos e interagimos atualmente.

A geração X seria a de alguns pais de adolescentes e jovens.  São as pessoas que buscaram sua independência e autonomia desde cedo e promoveram importantes mudanças sociais, como: a busca da individualidade sem a perda da convivência em grupo; ruptura com as gerações anteriores; maior valor a indivíduos do sexo oposto; busca por seus direitos; maior distanciamento da família de origem; procura por maior liberdade. É uma geração que precisou conquistar seu espaço, trabalhar muito para isso e em uma época onde as mudanças ocorriam mais lentamente.

A geração Y é composta por alguns jovens e adolescentes de hoje, que nasceram em tempos de prosperidade e num mundo digital, de novas tecnologias e mais democrático. São pessoas mais flexíveis, individualistas, competitivas, acostumadas a fazer escolhas e questionamentos, que querem produzir algo e não apenas recebê-lo pronto. Esse jeito de ser confronta o modelo tradicional de hierarquia, pois essa geração possui uma maior comunicação e uma postura diferente em relação às figuras de autoridade. Demonstram querer que as mudanças ocorram mais rapidamente.

Olhando algumas dessas características, podemos ver porque existem certos conflitos entre as gerações, afinal, existem muitas diferenças de atitudes, pensamento e ideiais.

Percebo que a resistência ao novo seja natural e necessária, mas também penso que só evoluímos enquanto espécie e civilização porque as novas gerações buscaram mudanças e inovações. É preciso conciliar as visões, uma vez que, para mudar algo, é necessário existir uma estrutura e fundamentação, que seria a geração antiga. O desenvolvimento e o aprimoramento ocorrem porque existem buscas e transformações, o que geralmente é realizado pela geração mais nova.

É importante que ambas as gerações – de pais e de filhos – aprendam umas com as outras. A anterior a aceitar mudanças e inovações, flexibilizar alguns conceitos e preconceitos, rever atitudes. A atual, a escutar a anterior e valorizar toda a história e conquista porque, sem a geração anterior, não teria a base para realizar as mudanças hoje.

Penso que é necessário que todos tenhamos e aprimoremos a paciência, a compreensão, tolerância e aceitação das diferenças, para uma melhor convivência e qualidade das relações familiares e sociais.

PATRÍCIA MARIA SPIDO – Psicóloga – CRP-12/10220 Presidente e Membro da CERES – Associação Criciumense de Apoio à Saúde Mental.

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