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ASSOCIAÇÃO CRICIUMENSE DE APOIO A SAÚDE MENTAL

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Onde está a felicidade?

Dia destes me peguei cantarolando “... felicidade brilha no ar como uma estrela que não está lá...” e percebi o quanto essa frase pode ser verdade para muitos. Digo isso porque percebo no dia a dia que existem pessoas que passam uma vida inteira em busca de uma felicidade que parece ser inatingível. Como se a vida fosse uma novela, ficam só esperando pela última semana aonde tudo vai se acertar, e pelo último capítulo que como num passe de mágica a felicidade acontecerá. 

Mas o que é felicidade? Para a medicina é um processo bioquímico que podemos alcançar por meio das endorfinas, o hormônio do prazer, considerado a droga da felicidade. Para o poeta, felicidade pode ser a “coisa mais linda, mais cheia de graça”. E conforme o dicionário Aurélio a felicidade é o “estado da pessoa feliz”. Buscando atingir este estado de felicidade algumas pessoas sonham com o casamento perfeito (mesmo que de aparência), compram carrões do ano, roupas de grife, realizam inúmeras cirurgias plásticas. Saem todas as noites para a “balada”, com intuito de exibir suas conquistas, ou dedicam-se exclusivamente ao trabalho deixando de lado a família e os amigos, sem esquecer aqueles que vivem na busca frenética por quinze minutos de fama.

O grande problema é que a maioria da população não atinge esses objetivos, pois não têm acesso a essas “felicidades” tidas como fundamentais numa sociedade onde o culto ao corpo e o consumismo são reforçados a todo o tempo e em todos os meios de comunicação. Estes não conseguem não por falta de empenho ou desejo, mas porque a grande massa ainda tem de trabalhar para poder comer e contentar-se com a educação e saúde pública oferecidas. E aí vivem num sonho e/ou pesadelo na busca por aquilo que acreditam ser a sua felicidade. Diante destes fatos podemos dizer que as portas para as infelicidades se abrem facilmente, e em uma tentativa de compensação por suas frustrações muitas pessoas acabam utilizando meios tortos para se sentirem felizes.

E então muitos abusam do álcool, do sexo, fazem uso de drogas, que na maioria das vezes é financiado pelo crime gerando tristezas, angústias, medo e revolta para a população. Sem esquecer as doenças psíquicas que oportunamente surgem como a depressão, a ansiedade, a anorexia, a bulimia, a síndrome do pânico entre outras que roubam também a saúde física da pessoa. E o maior prejuízo sem dúvida está nas relações familiares que são destruídas por estes ideais de felicidade. Na busca insana pelo prazer, pela satisfação a qualquer preço, marido e mulher não se entendem, filhos não se respeitam e tão pouco seus pais, valores pessoais são tidos como ultrapassados, jovens bem nascidos viram bandidos, e a família que deveria ser o porto seguro, se dissolve frente a estas situações.

Mas então o que podemos considerar como felicidade? Pois digo, que a felicidade de cada momento pode ser determinada pelo modo como cada um encara a vida que tem. E pela percepção da própria situação e da satisfação que se sente diante daquilo que vivencia. Situações simples da vida que com a correria e ânsia de viver, às vezes esquecemos o quanto nos fazem felizes e nos impulsionam a buscar aquilo que queremos de maneira sadia. Momentos como o sorriso de um filho, a chuva para o agricultor, a presença para quem está só, a lembrança de quem está ausente. A realização do sonho profissional, o gol do seu time aos quarenta a cinco minutos do segundo tempo, aquela música que lhe emociona, dizer ao outro que o ama, sonhar, desejar, sorrir, acordar todos os dias e batalhar pela conquista de seus desejos. Sim batalhar, porque somos lutadores natos, e aquilo que conseguimos com o nosso esforço, geralmente é o que lembraremos com felicidade.

Onde está a sua felicidade, ou melhor, o que lhe faz feliz? Pense! Reflita! Se organize e corra atrás!

Aline Marques – CRP 12/07463 - Membro da CERES - Associação Criciumense de Apoio à Saúde Mental.

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