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Maternidade Ideal X Maternidade Real

A maternidade vem carregada de grandes expectativas. Baseada em crenças e mitos a espera do bebê é acompanhada de ideias irreais que podem causar muitos conflitos emocionais a estas mulheres.

A gravidez traz uma enorme lista de ajustes e preocupações que dentro de algumas semanas terão de estarem prontas para a chegada deste bebê.  E mesmo que a gravidez foi planejada e desejada nem sempre é acompanhada de momentos leves emocionalmente. A vinda de uma criança é muito mais que chás de bebês e enxoval, é muito mais que escolhas de obstetras e tipos de parto, entre todas as outras coisas que poderiam ser listadas.  São tantos ajustes que dá a impressão que a maternidade é baseada nisso, você monta o enxoval, decide entre colocar o berço no seu quarto, no quarto do bebê ou fazer a cama compartilhada, escolhe a via de nascimento com o médico ou parteiras de confiança e pronto, a mulher está pronta para ser mãe. O que não contam para essas mulheres é que o nascimento do seu filho exigirá muito além de todo o esforço que ela já fez e teve, que tudo que ela se preparou não terá tanta importância se ela não souber identificar e lidar com o seu emocional no pós-parto.

É verdade que a mulher recebe muitos conselhos na gravidez: “aproveita para dormir agora”, “deixa comida pronta no freezer”, “faça esse tipo de parto”, “amamente o seu filho”, “dê tal fórmula” e por ai vai. Ela também ouve muitos relatos de como foi lindo, de como foi horrendo, do que fazer e não fazer, porém pouco é falado na perda da identidade, de que ela não será mais a mesma, de que o amor por aquele bebê será construído e tudo bem, não são todas as mulheres que se sentem mães desde o primeiro momento, muitas vezes se leva alguns bons dias.

A maternidade real dói na reconstrução daquela mulher, é preciso de muita doação, de reencontro, de esforço e apoio de quem estará perto.  É perceber que ao invés de encaixar um filho no seu cotidiano, a verdade é que seu cotidiano encaixará ao redor daquele ser e que não levará os 40 dias para que tudo volte como era antes. O tempo de reconhecimento, de construção é único para cada mulher. Vai depender de como seu emocional lida com as mudanças, de como ela está construindo a relação com seu filho, da rede de apoio, das informações que ela busca. No entanto, uma coisa é certa, essa mulher nunca mais será a mesma, não aquela mãe que ela idealizou na gravidez, mas a mulher/mãe que ela construiu para viver a sua maternidade real.

 

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