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ASSOCIAÇÃO CRICIUMENSE DE APOIO A SAÚDE MENTAL

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Tente outra vez...

Queira! Basta ser sincero e desejar profundo você será capaz de sacudir o mundo. Vai! Tente outra vez!” Raul Seixas e seus parceiros, sabiam o que falavam quando escreveram esta frase. Temos, se assim desejarmos, a capacidade de mudar tudo a nossa volta. A questão é: conseguimos acreditar nisso?

Sempre ouço frases do tipo: Não vou conseguir. Será que vai dar certo? Não consigo agradar ninguém. Não tenho talento. Não consigo fazer nada direito. Filho de peixe, peixinho é. Nada para mim dá certo, entre outras tantas. Confesso que eu mesma já usei algumas dessas. Parece-me às vezes que o pessimismo tem cadeira cativa no filme de nossas vidas, sempre ali a espreitar, esperando o momento certo ou incerto para se instalar.

Muitas pessoas acreditam que não conseguem realizar seus sonhos e desejos, por não serem dignas e/ou merecedoras. Vivem atormentadas por essas crenças limitadoras, que infelizmente, na maioria das vezes, foram impostas por outras pessoas. Quem nunca ouviu alguém dizer: ah ele não aprende é igual ao pai, ela é fraca como a mãe, ou ainda vai ser um médico, vai ser isso ou aquilo.

Quando se diz para uma criança, qualquer dessas frases, ou outras do gênero, ela as registra de forma inconsciente, e com o passar do tempo, unido aos reforços muitas vezes negativos que vai recebendo ao longo da vida, vai internalizando essas crenças, e tornando realidade aquilo que ouve.

Pode parecer inofensivo pensar que o melhor para seu filho é que ele seja médico ou engenheiro para ganhar bastante dinheiro e não sofrer como você sofreu. Mas, onde fica o desejo do filho, suas vontades e sonhos?  Será que era isso mesmo que ele queria ser quando crescer? Ou será que é você projetando nele seus desejos ou insucessos?

Pai e mãe não têm o direito de decidir o futuro de seus filhos.  A obrigação dos pais é sustentar seu corpo e sua alma. Como fazer isso? Protegendo-os, amando-os e respeitando-os acima de tudo. Ensinando sobre o amor, sobre a honestidade, a bondade, sobre a importância do trabalho, assim vão fortalecer sua autoestima.

Então quando seu filho lhe perguntar o que “ser" quando crescer, diga que ele poderá ser o que quiser desde que traga consigo os ensinamentos acima. Apóie seu filho, não repita frases ou crenças que talvez você tenha ouvido de outras pessoas. Educação, amor e valores são necessários para a formação do caráter de uma pessoa, e isso não se compra, se ensina em casa.

Agora se você foi uma criança que cresceu ouvindo essas crenças limitadoras, se você não teve o apoio de seus pais, a culpa não é sua, nem deles, pois eles provavelmente foram tão vítimas das circunstâncias quanto você.

O que fazer então? A sugestão é perguntar-se: realmente faço o que quero? Eu realmente acredito que não consigo porque sou igual a fulano? Preciso mesmo ficar me desqualificando? O que tenho de bom? O que sei fazer ou o que gosto de fazer? Liberte-se dessas crenças limitantes e corra atrás dos seus sonhos. Você é sim capaz de mudar esses pensamentos e com isso mudar o seu mundo, não carregue um fardo que não é seu.

Acredite! “Você tem dois pés para cruzar a ponte, nada acabou! Tente! Levante sua mão sedenta e recomece a andar... não diga que a vitória está perdida, se é de batalhas que se vive a vida. Tente outra vez!”

 

Aline Marques é Psicóloga - CRP 12/07463 e membro da CERES - Associação Criciumense de Apoio à Saúde Mental

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