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ASSOCIAÇÃO CRICIUMENSE DE APOIO A SAÚDE MENTAL

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Dá para ser mais gentil?

Gosto de observar e refletir sobre as situações corriqueiras do nosso dia a dia. Normalmente, quando estou pelo centro da cidade, vejo as pessoas andarem com pressa, marchando, cabisbaixas; às vezes, passamos por algum conhecido e não dá nem tempo para falar um “oi”. Ou, então, quando passamos por um vizinho, o cumprimentamos com um “bom dia” e ele não retribui, sisudo e sério ele passa e nem olha. Quando alguém está dentro do elevador e vê uma pessoa se aproximando, aperta logo o botão para não ter que esperar pelo outro, principalmente, se estiver carregando sacolas de supermercado.

No trânsito parece ser ainda mais caótico! Motoristas impacientes e imprudentes, frequentemente, metem a mão na buzina, chamam palavrões, fazem gestos obscenos, não respeitam a faixa de pedestres. Pior quando se está esperando para estacionar e vem outro carro por outro lado e pega a sua vaga. Não dá para acreditar. No ônibus, quando entra uma pessoa idosa e quem está sentado finge não a ver para não ter que ceder o seu lugar no banco.

Entendo que temos muitos afazeres e por vezes, nos falta tempo para fazer tudo o que gostaríamos. Então, começamos a nos lamentar: “porque a culpa é do trânsito”, “é do chefe”, “é do estresse”, “é da sobrecarga de trabalho”, “é a falta de educação”, etc. Entretanto, acredito uma das mais importantes virtudes humanas anda fazendo muita falta no mundo: a gentileza.

Gentileza na sua definição é a qualidade daquele que é gentil, é uma ação nobre, distinta. Achei interessante, pois, em seu conceito, também consta a palavra “esforço”, já que, para ser gentil, é necessária uma dose de esforço, principalmente, frente às indelicadezas dessas “situações corriqueiras”. Seus sinônimos são cortesia, educação e delicadeza.

Trago outra definição, por Eliane Brum: “Gentileza é o exercício cotidiano de vestir a pele do outro. É cuidar não de alguém, mas de qualquer um. Mesmo que ele não seja nosso parente, mesmo que seja um estranho. Cuidar por nada. Sem precisar de motivo. Cuidar por cuidar. Por que algo tão essencial se tornou supérfluo? Porque gentileza não se consome, talvez. Não tem valor monetário. Não se ganha nada de material com ela. Também não custa nada”.

Além de atitudes e gestos, a gentileza também tem muito a ver com as palavras e com a maneira de dizer as coisas. Algo que poderia ser dito com mais cuidado, é dito sem nenhuma gentileza, aquele que recebe a mensagem já entende como um “ataque” e retruca num tom acima e por aí vai...

Pense nos acontecimentos do seu dia hoje ou de ontem, irá perceber que o pior deles foi causado por pessoas que não foram gentis com você ou o contrário. Aquele “bom dia” não respondido, a cara fechada, a buzina desnecessária no trânsito, o sorriso economizado, a ajuda que poderíamos ter dado e não demos ou ainda, que não recebemos.

Entretanto, não se deve confundir gentileza com fraqueza, nem com uma característica feminina, afinal, faz bem ser tratado com gentileza. E, além disso, um gesto gentil desencadeia reações similares. Quando alguém é gentil conosco, gera uma sensação agradável, bom humor, parece que o dia já começa ou fica melhor. É simples. Parece pouco, mas é muito! E, acredite! Como dizia o poeta: “Gentileza gera gentileza”. Dá pra ser mais gentil? ...

 

Ana Paula Frasson – Psicóloga CRP-12/10029, membro da CERES – Associação Criciumense de Apoio a Saúde Mental.

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