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ASSOCIAÇÃO CRICIUMENSE DE APOIO A SAÚDE MENTAL

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Desistir dos desejos

Em um artigo Contardo Calligaris incentiva os leitores a agir e ter coragem, porque explicava que desistimos dos desejos, para evitar a dor de fracassar.

Muitos desistimos e desistiremos no futuro. As desistências passadas podem ser da escolha de uma profissão, de um amor, de um filme ou um bom livro.

Vivemos as nossas desistências como fracasso. Qualquer escolha implica em perdas, mas devemos entender que elas também têm a ver com a impossibilidade de escolher muitas coisas ao mesmo tempo, e não necessariamente é um fracasso.

No dia a dia vamos ter que preferir uma coisa e deixar outra para traz. Por exemplo, neste momento escolho escrever este artigo e ao fazer isso não estou plenamente satisfeita porque, assim como gosto de estar escrevendo, também gostaria de estar passeando no centro, comprando algo que ficou para depois, ficando alguns minutos livres junto com a minha filha, ou fazendo uma ligação telefônica pendente, etc. A lista é longa.

Quem alguma vez não desprezou seu próprio desejo? Sendo honestos, todos desistimos de vários, desde os mais simples até, às vezes, traímos nossos sonhos que considerávamos importantes.

Frequente, para evitar os tormentos da contradição interna, atribuímos aos outros (em particular, aos que nos são mais próximos, mas também ao mundo em geral) a função de nos impedir de desejar além da conta.

Tem pessoas que tem ansiedade pela vontade de realizar muitos desejos e não se limitam extremamente. Os outros não são uma barreira, devemos limitarmos internamente, a própria pessoa deve escolher e assumir sua parcela de responsabilidade.

São aquelas lamúrias: queria mesmo ser trompetista, mas não deu porque é uma carreira incerta e é preciso pagar a mensalidade da escola das crianças; queria passar as noites nas casas de pagode, mas não ficaria bem para minha mulher se encontrássemos alguém que a conhece; queria passar o dia como uma Amélia, cozinhando geléias naturais e bolos de chocolate, mas meu marido quer uma boneca de luxo.

Em suma, acusando o outro, consigo brigar com minhas próprias contradições, preguiças, inibições ou covardias.

Finalizo desejando a todos os leitores que possamos todos conectar nossos desejos com nossas possibilidades, nossa motivação com nossas competências e claro, nosso sucesso com a construção de um mundo melhor.

 

Cecília Urbina, psicóloga, CRP/12-0957. Membro fundadora da CERES - Associação Criciumense de apoio a saúde mental

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